Na data de hoje, dia 18/10, ouvi um sermão belo sobre a coragem Cristã e quero partilhar com os leitores o meu entendimento sobre este tema tão belo e quebrantador.
Josué 1:9 –
“Não te mandei eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o Senhor teu Deus é contigo por onde quer que andares.”
Na Galileia, vivia um homem justo chamado José, desposado com uma mulher honrada, Maria. Antes de se consumar o casamento, José descobriu que ela estava grávida.
Segundo a lei da época, isso poderia ser visto como adultério — um crime grave —, mas José, sendo justo e compassivo, decidiu deixá-la secretamente, para não difamá-la nem expô-la à vergonha pública.
Enquanto pensava nisso, um anjo do Senhor lhe apareceu em sonho e disse:
"José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo. E dará à luz um filho, e chamarás o seu nome JESUS, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.”
A frase central aqui é “não temas”.
Ela ecoa em toda a Escritura — um lembrete constante de que a coragem cristã nasce da fé.
A expressão aparece 365 vezes na Bíblia, uma para cada dia do ano — como se o próprio Deus nos chamasse, diariamente, a confiar n’Ele.
José respondeu a esse chamado com obediência imediata. Sem hesitar, recebeu Maria por esposa e, ao dar o nome de Jesus ao menino, assumiu-o como filho, garantindo-lhe a linhagem de Davi e cumprindo a profecia messiânica.
Mais de uma vez, Deus falou a José por meio de sonhos:
“Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito, e fica lá até que eu te diga; porque Herodes há de procurar o menino para o matar.”
E, com a mesma fé silenciosa, José obedeceu sem discutir.
Sua coragem não se manifestou em discursos, mas em ação — uma obediência firme e discreta que salvou a vida do Messias.
As tradições cristãs dizem que José morreu nos braços de Jesus e Maria, encerrando sua missão em paz. E é justo pensar que um homem que viveu em fé, silêncio e coragem tenha encontrado uma boa morte, digno de estar entre os grandes do céu. José nunca buscou holofotes; apenas confiou no Senhor. Deus lhe concedeu o privilégio de cuidar de Maria e do próprio Cristo, que lhe foram submissos em amor. Assim, cumpriu-se a Lei e se preparou o caminho para o início do ministério do Messias.
O ministério de Jesus recebeu respaldo desde sua juventude. Aos 12 anos, Maria encontrou seu filho no templo, sentado entre os doutores, ouvindo-os e questionando-os com sabedoria. Ela lhe disse:
“Filho, por que nos fizeste assim? Eis que teu pai e eu te procurávamos, angustiados.”
Jesus respondeu prontamente:
“Por que me procuráveis? Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai? Mas eles não compreenderam o que lhes dizia."
Mesmo ainda jovem, Jesus já tinha consciência de sua missão, equilibrando sua humanidade com a obediência ao Pai. Cresceu de forma comum até os 30 anos, quando iniciou publicamente seu ministério com seu primeiro milagre, transformando água em vinho. A partir daí, curas, multiplicações e até a ressurreição de mortos mostraram uma coragem ativa, expondo a verdade diante de fariseus que o perseguiam.
Cristo, ao ver os comerciantes do templo profanando a casa do Pai, não se conteve e defendeu o que era sagrado. Naquele momento, fez um chicote de cordas e expulsou os comerciantes, dizendo:
“A minha casa será chamada casa de oração, mas vós a transformastes em covil de ladrões.”
Mostrando que não devemos ser pacifistas diante do mal e da corrupção envolvendo as coisas de Deus, Jesus agiu com firmeza e justiça. Se no templo vimos a coragem ativa de Cristo, no Getsêmani vemos a coragem em submissão à vontade do Pai.
No Getsêmani, plenamente humano, Jesus sentiu medo e angústia ao antecipar a cruz:
“Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua.”
Apesar do sofrimento extremo — suando gotas de sangue — ele entregou sua vontade ao Pai, mostrando que a verdadeira coragem não é ausência de medo, mas fidelidade à missão de Deus mesmo quando o caminho é doloroso.
Na mesma noite, Jesus foi traído. Quando Pedro tentou defendê-lo cortando a orelha de um soldado romano, ele disse:
“Embainha a tua espada; não beberei eu o cálice que o Pai me deu?”
E lá no inicio, já havia alertado Pedro que tentou impedir a Cruz:
“Vai para trás de mim, Satanás! Tu és escudo para mim, porque não tens cuidado das coisas de Deus, mas sim das dos homens.”
Cristo foi levado, padeceu sob Pôncio Pilatos e, na cruz, corajosamente cumpriu sua obra redentora, pedindo perdão aos que o crucificavam: “não sabiam o que faziam”. Ressuscitou ao terceiro dia, vencendo a morte e inaugurando a vitória sobre o pecado, e ascendeu aos céus, deixando a grande missão:
“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações… e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.”
Mesmo ascendido, Cristo permanece com sua Igreja. Para continuar sua obra, reservou um papel especial a um homem inesperado: Paulo, o perseguidor transformado em apóstolo, que seguiria os passos daquele que nunca recuou diante da verdade de Deus, levando a coragem cristã a novos lugares e desafios.
Em Jerusalém, havia um homem escolhido pelos apóstolos para ajudar na distribuição de alimentos e no cuidado às viúvas, garantindo que nada faltasse a ninguém. Estevão era cheio do Espírito Santo e pregava com fervor. Sua coragem atraiu a antipatia dos judeus, que o acusaram de blasfêmia contra Deus e os profetas.
Mesmo diante do Sinédrio, Estevão não se intimidou. Ele lembrou a história de Israel e como o povo frequentemente rejeitava os profetas, dizendo:
“Homens duros de coração, incircuncisos de ouvidos e de coração, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos antepassados, também vós resististes.”
Covardemente, o arrastaram para fora da cidade e o apedrejaram. Mas Estevão entregou sua vida a Cristo, pedindo:
“Senhor, não lhes imputes este pecado.”
Durante aquele momento, um jovem chamado Saulo estava presente, segurando as vestes dos que apedrejavam Estevão.
Saulo, fariseu nascido na Lei, tornou-se um perseguidor implacável dos cristãos, invadindo casas e entregando à morte os seguidores de Cristo. Em uma de suas jornadas, a caminho de Damasco, uma luz do céu brilhou ao seu redor e uma voz falou:
“Saulo, Saulo, por que me persegues?”
Confuso e assustado, ele perguntou:
“Quem és, Senhor?”
E a voz respondeu:
“Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Levanta-te, entra na cidade, e lá te será dito o que deves fazer.”
Saulo ficou cego por três dias, jejuando e orando. Então, um discípulo chamado Ananias foi enviado por Deus para restaurar sua visão e batizá-lo. Saulo tornou-se Paulo, o apóstolo dos gentios, e iniciou uma trajetória de coragem sem igual: enfrentou prisões, açoites e tormentos, mas mesmo ferido, louvava a Deus com alegria. Em Filipos, seu louvor fez um terremoto abrir as portas da prisão, e até o carcereiro se converteu.
Paulo converteu multidões, fundou diversas igrejas e escreveu cartas que formam metade do Novo Testamento. Mesmo com seu “espinho na carne”, ele permaneceu firme, vivendo com esta certeza:
"Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro.”
Essa mesma coragem guiou Estevão e os primeiros mártires cristãos. Ao final de sua vida, Paulo enfrentou seu destino com alegria e confiança, escrevendo a Timóteo:
“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.”
Paulo foi martirizado por Nero, mas seu legado jamais foi apagado. Ele viveu o que pregou, e suas palavras aos Romanos ecoam até hoje:
“O justo viverá pela fé.”
Séculos depois, essa mesma verdade e coragem inspirariam um monge diante da corrupção da Igreja: Martinho Lutero. Ele leu os evangelhos e compreendeu sua mensagem: a candeia não podia ficar escondida sob o cesto, mas devia estar sobre o velador. A verdade do evangelho precisava brilhar para todos. Lutero ousou tornar a luz da Palavra visível, mostrando que a verdadeira coragem cristã nasce da fé, da obediência e da fidelidade à verdade de Deus.
Martinho Lutero se encontrava em uma tempestade avassaladora, com a certeza da morte, Lutero suplicou para Santa Ana que poupasse sua vida, em troca, assumiria uma vida monástica voltada para Deus e seria padre. Lutero sobreviveu e fez o que prometeu, estudou as escrituras, os documentos Patrísticos e dava aula de hermenêutica, porém, nada disso o fazia sentir mais próximo de Deus. Lutero fazia jejuns até quase cair morto, praticava boas obras, fazia penitencias e confessava seus pecados por horas a fio, mas não sentia nada, sentia cada vez mais afastado de Deus. O Deus que lhe foi ensinado não era o Deus de amor, mas sim, o da punição. Lutero não via amor no Deus que só o condenava.
Foi ai que, abrindo a carta de Romanos, ele leu:
"O justo viverá pela fé"
Aquilo mudou a cabeça de Lutero. Ele finalmente entendeu que tudo o que ele fazia, pensando estar agradando a Deus, somente o afastava. Lutero queria barganhar sua salvação, mas isso era dom único de Deus, que nos justifica por meio da fé.
Com isso em mente, Lutero foi a Roma a fins educacionais. Lutero, em seus escritos, relatou um ditado popular falado em Roma:
“Se há um inferno, Roma está construído sobre ele. Ou seja, depois do próprio diabo, não há povo pior do que o papa e seus seguidores.”
O que deveria ser o centro da espiritualidade Cristã havia se tornado um prostibulo a céu aberto, e isso o indignou, mas não mais do que a venda de Indulgencias, onde Roma vendia salvação das almas no Purgatório com o ditado:
“Quando uma moeda tilinta no cofre, a alma pula do purgatório.”
Roma estava vendendo a mentira para seu povo humilde. Lutero não podia aceitar isso calado, então, quis promover um debate. Em 1517, em Latim, Lutero pregou as 95 Teses na porta da Igreja de Wittenberg. Dentre todas as suas teses, a Tese 86 resumia seu pensamento:
“Por que o papa, cuja riqueza é hoje maior do que a de qualquer rico, constrói igrejas com o dinheiro dos pobres, enquanto ele próprio poderia usar a sua própria fortuna?”
Com isso, ele começou a Reforma Protestante. Lutero foi provocado, fez escritos, enfrentou Johann Eck e defendeu Jean Huss, um homem de Deus morto por Roma. Lutero, nesse momento, se associou com um herege.
No concilio de Worms, ao ser intimado a negar seus escritos, a chama da coragem dada pela fé, fez Lutero dizer:
"Se me convencerem, mediante testemunho das Escrituras ou argumentos claros da razão — pois não acredito nem no Papa nem nos Concílios, já que é evidente que erraram muitas vezes e se contradisseram — estou convencido pelas passagens da Sagrada Escritura que mencionei, e minha consciência está cativa da Palavra de Deus. Não posso nem quero me retratar de nada, pois não é seguro nem salutar agir contra a consciência. Que Deus me ajude. Amém."
Lutero não recuou; traduziu a Bíblia inteira para o alemão e, em 1520, em praça pública, respondeu à bula papal dizendo:
"Já que você confundiu a verdade de Deus, hoje o Senhor o confundirá a você. Ao fogo com você!"
Lutero queima a bula papal, oficialmente rompe com o poder de Roma e é excomungado. Com isso, A fé Protestante se espalha pela Europa e pelo mundo. Por conta das consequências da Reforma, países inteiros conheceram Cristo, a verdade do evangelho que antes os era escondido.
De José a Lutero, vemos que a coragem cristã se manifesta de diferentes formas: no silêncio obediente, na ação firme, na fidelidade mesmo diante da morte, na perseverança em meio à perseguição e na ousadia de defender a verdade. Mas não precisamos ser heróis da Bíblia ou reformadores históricos para exercitar essa coragem.
Hoje, Deus nos chama para sermos corajosos na nossa vida cotidiana — em nossas escolhas, palavras, atitudes e relacionamentos. Ele nos lembra: “Não temas, porque eu estou contigo” (Josué 1:9). Essa promessa vale para cada desafio que enfrentamos: na família, no trabalho, na comunidade, ou até no nosso próprio coração. Que a vida de José nos inspire a confiar silenciosamente nos planos de Deus. Que Jesus nos ensine a agir com justiça e submissão ao Pai. Que Estevão nos encoraje a permanecer firmes na fé, mesmo quando tudo ao redor parece desmoronar. Que Paulo nos lembre que perseverar, mesmo em sofrimento, é um caminho de vitória. E que Lutero nos desafie a defender a verdade com ousadia, sempre fundamentados na Palavra de Deus.
Hoje, permita que Deus acenda essa coragem em você. Confie n’Ele, obedeça aos Seus caminhos e seja luz onde você estiver. Que sua vida, assim como a desses grandes exemplos de fé, reflita a coragem que nasce da confiança em Deus e do compromisso com Sua verdade.
Que a paz esteja convosco! Amém
Comentários
Postar um comentário