Introdução
Neste dia, 12 de Outubro, é celebrado em todo país o dia de Nossa Senhora Aparecida (Aqui caso queira saber sua história), esta é a conhecida Virgem Maria—mãe de Jesus, mãe de Deus, a Theotokos.
Só nesta pequena introdução eu já poderia arrumar problemas com evangélicos — e até com alguns reformados mais leigos —, já que o termo Theotokos — ou mesmo chamar Maria de “Virgem” — provoca repulsa imediata nesses grupos. Católicos mais maliciosos chamam isso de ódio; eu, por outro lado, chamo de ingenuidade e tolice, pois esses mesmos grupos não negam nenhum dos aspectos que levaram Maria a ser proclamada Theotokos:
- A divindade de Jesus
- A união Hipostática
- A virgindade de Maria (pelo menos até conceber Jesus)
- O titulo de bem aventurada e cheia de graça, ambos bíblicos
Então, porque hoje vimos esse afastamento gritante a figura de Virgem Maria pelos Protestantes? por um motivo simples, seu anti-catolicismo barato é maior que sua vontade mínima de estudar um pouco as escrituras. Esse meu ataque vai para os evangélicos apologistas e educadores, não para suas massas leigas que, por muitas vezes, nem tem acesso a esses conhecimentos. E com isso, compartilham essas heresias e viram massa de manobra para Católicos maliciosos se lambuzarem sobre eles. É uma situação triste, mas para isso que nós existimos, para ajudar as pessoas leigas. O melhor leigo é aquele que, quando recebe o conhecimento, o espalha sem temor!
Neste artigo, vamos ver o como a saudosa Virgem Maria foi nossa aliada no combate as Heresias, seu exemplo de fé e confissões dos Reformadores sobre ela!
Confissão geral dos Protestantes sobre Virgem Maria
Antes de adentrarmos, veremos o que os Protestantes reconhecem (pelo menos am parametro geral) sobre Virgem Maria. Primariamente, o Protestante crê na Sola Scriptura, nossa confissão Mariana geral advém das escrituras! ou seja, nós cremos que Maria:
- Era bendita entre as mulheres
- Cheia de graça
- Virgem até a concepção de Jesus
- Um exemplo de fé e submissão a Deus
- Esposa de José
- Que ela contraiu o pecado original
- Negação de sua Assunção
Além disso, os anglicanos e, principalmente, os luteranos são vertentes mais marianas dentro do protestantismo. Porém, qualquer dogma mariano que vá além do que está nas Escrituras é considerado uma adiáfora — ou seja, um tema devocional que não é de aceitação obrigatória. Entre esses temas, incluem-se:
- Virgindade perpétua de Maria;
- Maternidade espiritual sobre os cristãos;
- Ausência de pecados em sua vida (veniais ou mortais);
- Títulos como “maior nos céus” ou “rainha dos céus”;
- Títulos reverenciando a santidade;
- Intercessão mariana (mais comum entre os anglo-católicos).
Mesmo o protestante que aceita todos esses elementos afirmará que nenhum dogma mariano é determinante para a salvação. Ou seja: o anglo-católico que crê no título de “Rainha dos Céus” não está “mais salvo” do que o Batista que vê Maria apenas como o meio pelo qual Jesus veio ao mundo.
Analisando isso, veremos o como a saudosa Virgem Maria ajudou o Cristianismo a ser como nós o conhecemos hoje:
"Criação" do termo Theotokos, como um termo salvou a essência de Cristo
No século V, o patriarca de Constantinopla, Nestório, começou a espalhar uma doutrina que hoje chamamos de Nestorianismo. Ele defendia que Jesus possuía duas pessoas distintas — uma humana e outra divina — e, por isso, deu a Maria o título de Christotokos (“Mãe de Cristo”). Para Nestório, chamar Maria de Theotokos (“Mãe de Deus”) poderia implicar que ela fosse mãe da divindade eterna, o que considerava teologicamente problemático.
A heresia se espalhou rapidamente, e foi necessária a convocação do Concílio de Éfeso, em 431 d.C., com o objetivo de resolver a controvérsia e definir a ortodoxia cristã sobre a natureza de Cristo e o papel de Maria. O principal defensor da fé ortodoxa foi Cirilo de Alexandria, patriarca de Alexandria, que argumentou que, se Maria deu à luz Jesus, ela deve ser chamada de Theotokos, pois gerou a pessoa divina do Verbo encarnado.
Cirilo fundamentou sua posição nas Escrituras, citando passagens como:
- Lucas 1:43: “E de onde me provém isto a mim, que venha a mim a mãe do meu Senhor?”
- Mateus 1:23: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e chamarão o seu nome Emanuel, que traduzido é: Deus conosco.”
Esses textos deixam claro que o Filho de Maria é reconhecido como Senhor e Deus, reforçando a necessidade de reconhecer Maria como Theotokos.
No concílio, Cirilo apresentou 12 anatemas contra as ideias de Nestório, ajudando a salvaguardar a ortodoxia cristã: Jesus é, na mesma pessoa, plenamente homem e plenamente Deus. Antes de Maria, o concílio estava em defesa de Cristo, da Escritura e da união hipostática. Mas, qual foi a principal aliada para Cirilo? Exatamente, a honrosa Virgem Maria. Negar o título Theotokos não significa negar dogmas católicos que contradizem as Escrituras; significa negar a essência de Cristo e a mensagem das Escrituras.
A maioria dos protestantes que rejeitam esse título não nega a divindade de Cristo nem a união hipostática; eles apenas interpretam erroneamente o significado do termo. Ao afirmar Theotokos, não estamos dizendo que Maria gerou a divindade de Jesus, como esclarece o Concílio de Éfeso:
“Assim, acharemos que os santos padres creram. Assim se atreveram a chamar a virgem santa, mãe de Deus, não como se a natureza da Palavra ou sua divindade tivesse recebido a origem de seu ser da virgem santa, mas porque nasceu dela o seu santo corpo racionalmente animado, com que a Palavra foi hipostaticamente unida e é dito ter sido gerado na carne.”
Em outras palavras, Maria é mãe do Cristo que, na união hipostática, é plenamente Deus e plenamente homem, sem separar suas naturezas. Theotokos não significa que ela gerou a divindade eterna, mas que deu à luz a pessoa divina do Filho encarnado, salvaguardando a fé cristã. Casp não confiem neste texto, confiem em João Calvino que diz:
“Maria é chamada a mãe de Cristo, nosso Senhor. Não é sugerido que a natureza divina tenha sido gerada por ela; ela gerou apenas a carne do Verbo, na qual o Filho de Deus se uniu à humanidade.”
Maria: Serva do Senhor e Modelo de Fé
Em Nazaré, uma jovem moça vivia sua vida comum, lia as Escrituras e se maravilhava com as histórias de Abraão, Moisés, Davi e dos profetas. Nas Escrituras, ela certamente percebia a mensagem principal: a chegada do Messias, o cordeiro perfeito para a expiação dos pecados. A cada dia que passava, Maria obedecia os mandamentos, vivia com infinita graça, mas principalmente com submissão a Deus, mantendo seu coração humilde. Ela estava prestes a se casar com um homem justo, chamado José.
Maria, em sua tremenda humildade, jamais poderia esperar o que a aguardava. Em um dia comum, recebeu a visita de um anjo que proclamou:
“Alegra-te, agraciada; o Senhor é contigo.” (Lucas 1:28)
Maria provavelmente se assustou com a visita, mas não por incredulidade, como Zacarias, pai de João Batista; ela apenas buscava compreender o que Deus estava prestes a realizar. Então perguntou:
“Como farei isso, se não conheço homem?”
O anjo logo respondeu, e Maria se sentiu satisfeita. Ela não precisava de mais nada além da confiança em Deus, e então disse:
“Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra.” (Lucas 1:38)
Foi neste “sim” que Jesus viria ao mundo. Maria, desde antes da fundação do mundo, estava determinada a gerar o Cristo, aquele que tira o pecado do mundo. Não apenas gerar, mas junto com José, criar e cuidar do Menino Jesus, que se fez menor que os anjos e se submeteu a eles, como dizem as Escrituras:
“E desceu com eles, e veio para Nazaré, e era-lhes submisso. Sua mãe, porém, guardava todas estas coisas no coração.” (Lucas 2:51)
Lutero via nisso a manifestação da justiça de Deus por meio da fé, pois Maria confiou nas palavras do anjo, nas palavras de Deus, e não as questionou. Já Calvino admirava sua humildade: uma vida inteira entregue ao serviço do Altíssimo, sem glória própria, sem autopromoção, apenas obediência e confiança.
Ao contemplarmos Maria, vemos a Escritura viva:
“Aquele que é poderoso fez grandes coisas por ela, e seu nome será exaltado entre as gerações.” (Lucas 1:49)
“Bendita entre as mulheres, cheia de graça, exemplo de fé e humildade.” (Lucas 1:28-30)
Maria para nós cristãos
No dia chegado, Maria, aos pés da cruz, chorava ao ver seu Filho, o único imaculado, sendo pregado na cruz. Ao vê-lo, Jesus disse a Maria e ao discípulo amado:
“Mulher, eis aí o teu filho.” Depois disse ao discípulo: “Eis aí a tua mãe.” E, desde aquela hora, o discípulo a recebeu em sua casa.” (João 19:26-27)
Jesus, já adulto, confiou os cuidados de sua mãe ao discípulo amado. Embora as tradições cristãs interpretem este gesto de formas distintas, podemos perceber aqui um chamado maior: o cuidado e a missão de Maria se estendem como exemplo de fé e serviço a todos os discípulos, podendo muito bem ser algo maior.
Maria, antes de tudo, é o maior exemplo de fé e submissão tratado nos Evangelhos. E, se Cristo diz a verdade, com toda certeza, Maria é grande no céu, pois as Escrituras afirmam:
“O maior entre vós será vosso servo; e quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado.” (Mateus 23:11-12)
Neste dia, senti que precisava homenagear Maria. Mesmo com discordâncias, todas as tradições cristãs podem honrá-la, pois seu nome será lembrado por todas as gerações:
“Minha alma exalta ao Senhor, meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.
Atentou para a humildade de sua serva, e todas as gerações me chamarão bem-aventurada.
O Poderoso fez em mim grandes coisas, santo é o seu nome,
e sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem.
Ele dispersa os orgulhosos, depõe os poderosos e eleva os humildes.
Sacia os famintos, e envia os ricos de mãos vazias.
Lembra-se de seu povo, cumprindo promessas antigas, confiável e fiel, agindo para sempre em favor dos que O amam.”
Texto de homenagem a Maria
E, para encerrar esta homenagem, compartilho uma reflexão poética:
Santa Maria, mãe de Deus, como eu te amo
Por ter dado luz ao nosso Salvador
Por ter dito “sim” ao chamado divino
E, pelo fruto do teu ventre, Cristo, o pecado foi tirado do mundo
Toda honra a ti, mãe de Cristo, mãe de Deus
A maior de todas as servas, aquela que cuidou do menino Jesus desde seu primeiro passo
Com certeza és grande no céu
Cheia de graça
Que os povos te imitem, e se lembrem de ti por todas as eras
Que possamos entender teu verdadeiro papel
E, ao nos afastarmos de outras tradições, jamais deixar de te honrar
Pois foi de ti que Jesus Cristo veio ao mundo,
o único sem mácula, para morrer por nós naquela cruz, na qual choraste aos pés.
Que Deus os abençoe e fiquem bem!
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